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ZÉ FOGAREIRO: VIAGEM AO CENTRO DO CORAÇÃO

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 ZÉ FOGAREIRO: VIAGEM AO CENTRO DO CORAÇÃO
Fala, Zé! São 2.361 Km de distância entre o Rio de janeiro e Montevidéu. E, sem romance nenhum: eu faria todo este percurso de novo, à pé, se me garantissem que viveríamos novamente o roteiro inesquecível do Uruguai, na última semana. Não foi uma viagem de ostentação, muito menos um simples deslocamento pra ver 90 minutos de bola rolando e voltar pra casa. Nada disso! Foi uma jornada longa, revigorante, curtida em cada momento, movida por uma paixão pura, avassaladora. Foi uma congregação peculiar de um povo fiel, com um amor em comum e com uma motivação apenas: o BOTAFOGO.
 
A gente não se apresentava uns pros outros, Zé, andando pelas ruas. A gente se reconhecia só no olhar e no balançar de cabeças (seguidos por um forte aperto de mãos, é claro). O reconhecimento de quem rói todos ossos da vida só pra estar ali, vibrando com seu time em outra cultura, além-fronteiras. Zé, eu já viajei várias vezes seguindo o Botafogo, mas confesso que dessa vez a força do sentimento, da vontade de empurrar a equipe ainda mais pra frente, a qualquer custo, me proporcionou uma sensação diferente. Eu cheguei até a repensar a importância de SER ESCOLHIDO! E, sinceramente, a devoção conseguiu se multiplicar.
 
Atente para o seguinte: não estou aqui querendo emocionar ninguém não, tá?! Estou só selecionando as palavras pra tentar transcrever um pouquinho da intensidade de tudo o que eu vivi, nestes últimos dias. Conheci gente que saiu do interiorzão do Brasil pra ver este jogo, vi gente que brigou com a família e com o próprio emprego pra acompanhar essa partida, brindei com gente que saiu de carro, da Região dos Lagos do Rio de Janeiro, só pra dividir espaço naquela arquibancada fria. E, acredite: conheci até Uruguaios de nascimento, seguidores fervorosos da Estrela Solitária. Sinceramente, confesso que o meu compromisso aqui, de ser sempre verdadeiro e Botafoguense, se calcificou um pouco mais. Que jornada!
 
Zé, a noite do último dia 06 de julho se anunciou fria, gélida e cumpriu o prometido com perfeição, com a adição daquela maldita chuva de vento. Nem o clima queria que nós estivéssemos lá. Mas nós – teimosos – estávamos. Com os pés ensopados, as mãos trêmulas e os narizes mais gelados que o Gatito pra pegar pênaltis. Éramos mil nos patamares azuis do Parque Central e mais 5 milhões espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Todos juntos, em uma só voz. O estádio era uma espécie de Rua Bariri sem nenhum acessório de fábrica. Sequer placar o estádio tinha, Zé. E nós ali, vendo uma cachoeira de água congelada descer pelas escadas da arquibancada, sem perder a certeza da vitória.
 
Alambrado, arame farpado e bar único, com a tia da chapa usando a mesma mão do hambúrguer para limpar o suor, ajeitar a calçola por dentro e dar o troco espalmado. Comi dois hambúrgueres logo, pra batizar a ida com requintes nativos, acompanhados de um refrigerante mais azedo do que comentarista da Espn. Dizer que sofremos com violência no Uruguai é mentira, Zé, pois a escolta da polícia foi primorosa nos oito ônibus lotados que percorreram Montevidéu rumo ao estádio. Anunciaram bafômetro na entrada e todos nós, sóbrios, ficamos loucos ao saber que não havia. Mais uma dificuldade superada: não beber para diminuir a ansiedade. Foi doído, foi sofrido, foi BO-TA-FO-GO!
 
Em campo, vimos a partida em “zoom”, tendo a chance de xingar o goleiro adversário cara a cara. Deu saudade do Caio Martins. Graças a São João Saldanha, vimos um Botafogo de novo valente, brigador. Aquele Fogão da Libertadores, exterminador de campeões. Aquele que cala a boca de todos os falastrões por aí, Zé. E isso nos aquecia de forma impressionante, naquele freezer a céu aberto. A garganta ganhou um combustível aditivado em prol do Fogão. Confesso que tudo aquilo foi inédito nas minhas retinas. Não paramos de cantar em nenhum momento, enquanto – do lado de lá – eles tentavam disfarçar o medo do nosso time com duas cornetinhas e três tambores, acompanhados de alguns trapos. Só no grito, engolimos o nacional do Uruguai, na casa deles. Muito obrigado por tudo, irmãos de camisa. Vocês são foda. FOOOOGOOOO!
 
 
 
Aí, ainda no primeiro tempo, os Deuses do futebol nos estenderam as mãos com a melhor recompensa possível: a oportunidade de vermos um gol Glorioso – o da vitória – na nossa frente. Quase empurramos a bola pra dentro junto com o João Paulo. Que felicidade indescritível. Pqp, Zé! Eu não sabia se corria, se ajoelhava, se abraçava… Estávamos em êxtase total! É muito mais que futebol! Com uma garra e vontade embasbacantes, conseguimos segurar o 1×0 até o final. Esquece essa blasfêmia de pênalti a favor deles não marcado, de juiz mal intencionado. Isso é mínimo, do tamanho do florminenC, perto de tudo o que vivemos e merecemos.
 
 
Ainda não tem nada ganho, Zé, inclusive esta classificação pras quartas-de-final. Mas garanto que dificilmente algum torcedor do nacional, que vier para o Rio de Janeiro, terá histórias tão ricas e emocionadas quanto as que temos pra contar. Mas isso é papo pra um botequim inteiro. Quem sabe um dia… Por enquanto, vamos seguir confiantes neste Botafogo, que pode não ser encantador, mas é brigador e guerreiro pra caralho. Todos nós estamos escrevendo a nossa própria história. Aqui e agora. O Botafogo somos nós. Abraço, Zé!
 
 
 
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