.: Loucos Pelo Botafogo - Região dos Lagos :.

Home Colunistas ZÉ FOGAREIRO: CHEGA DE RECOMEÇAR

ZÉ FOGAREIRO: CHEGA DE RECOMEÇAR

E-mail Imprimir PDF

 ZÉ FOGAREIRO: CHEGA DE RECOMEÇAR
 
Fala, Zé! É bom avisar: se você está esperando um texto cheio de vitimismo, coisas do tipo “Oh, vida! Oh, azar”, te aconselho a mudar de blogue já no próximo ponto final. Nunca me alinhei com esse mimimi infantil de é “só sofrimento”, não vai ser agora que vou encampar a lamúria derrotista. Isso é gozação que só ganha força na mente de quem é fraco. Zé, desde o fim da última noite, foram horas e mais horas de um silêncio profundo, contemplador. Aliás, essa palavra resume bem o sentimento: “contempla” + “dor”. Foi noite mal dormida no hotel, voo de volta pro Rio – calado – junto com os jogadores do Botafogo, teve também muita reflexão naquele covarde chá de cadeira que nos impuseram na arquibancada da Arena do grêmio ontem, pós-jogo (saímos do estádio no varar da madrugada). Enfim, amargurei minha facada no peito com todos os segundos necessários pra sair dela mais forte, mais Botafoguense ainda. Sei que frase de efeito nessa hora pode parecer clichê pra muitos, mas pra mim é o combustível que me renova, para deixar família e amigos, e continuar acompanhando aquilo que também chamo de “AMOR”.
 
Você pode imaginar que milhares de coisas fervilharam na minha cabeça: revolta, resignação, raiva, esperança, revolta de novo. Um mix de sensações mais confuso do que o Joel Santana recitando Camões em inglês. Afinal de contas, perder duas decisões em sequência, uma pra um rival direto e outra pra um título real que poderíamos ter chegado, não é nada fácil. Mas entre todos os pensamentos que tive, um permaneceu imutável e presente o tempo todo: o Botafogo precisa parar de recomeçar! Pela insistência, concluí: taí a saída. Sabe o que quero dizer com “Chega de Recomeçar”, Zé? É que o Botafogo precisa aprender com os próprios erros e, definitivamente, deixar de lado essa síndrome do “tá tudo errado”, voltando pra prancheta em branco e começando do zero tudo de novo. Essa tá longe de ser a solução. Blasfemar contra o time também não é a saída, porque é com ele que vamos juntos em embolados, nos fazendo um só, até o fim.
 
Responde pra mim, o que você prefere, Zé: um crescimento substancial e gradativo, devolvendo o Botafogo – ano após ano, em sequência – às cabeças dos campeonatos; ou mais um soluço de glória, como aquele de 1995 (que foi inesquecível e excelente, claro), pra depois voltarmos às dificuldades e às “secas” que tanto insistem em nos oferecer? Sinceramente, eu fico sempre com a primeira opção. E é baseado nela que me agarro à ideia de manter a filosofia atual, fazer uma base sólida de trabalho com o Botafogo, aparar as arestas (que são muitas e nocivas) e impor a meta de que agora é DAQUI PRA CIMA. Não adianta nada rasgar tudo o que foi feito só porque o resultado não veio. Já fizemos isso e sabemos o fim da linha. É hora do diferente, Zé!
 
Antes que você ache que meu discurso tem tom eleitoreiro, pra essa política escrota de General Severiano, saiba que estou cagando um quilo pra se vai entrar a chapa A, B ou C no comando dos próximos anos no Clube. Independente das pessoas, o que precisa prevalecer é o conceito. Pode até trocar todo mundo no departamento de futebol do Botafogo (o que acho um erro, apesar de que algumas peças precisam ser renovadas com mais gás e modernidade por lá), mas a essência deste Botafogo família, deste Botafogo dedicado, coletivo e, principalmente, a base em campo deste BOTAFOGO guerreiro precisa ser mantida.
 
E não digo isso porque caímos de pé ontem, em Porto Alegre. Não tenho esta opinião apenas porque fomos valentes contra o dito “melhor elenco do país”, dentro da casa dele. Deu orgulho. Digo isso porque este time e comissão técnica nos tiraram de um iminente rebaixamento e nos devolveram a um patamar onde hoje não só o Brasil, mas toda a América voltou a temer o Botafogo. Este time nos devolveu o orgulho de torcer e vibrar, este time ajudou a formarmos juntos imagens históricas, que ficarão pra sempre, nas arquibancadas do Nilton Santos. A base deste time é o que precisamos pra manter o DAQUI PRA CIMA. E outra coisa importante: ainda temos a chance clara e objetiva de trocar este “Tchau, Libertadores” por um “Até breve, muito breve”. Só dependemos de nós mesmos.
 
No fundo, deixando de lado um pouco da nossa paixão cega, sabemos que este time foi mais longe do que esperávamos e muito perto do que sonhávamos. Poderíamos ter chegado mais adiante? Claro que sim. Esta própria decisão contra o grêmio deixou isso claro. Fomos muito iguais. Um pênalti não marcado no Gílson, na primeira partida aqui no Rio, acabou definindo tudo. Quando se tem capacidade, a distância entre o sucesso e o fracasso é um detalhe. Mas também temos que reconhecer que cometemos erros cruciais para a temporada e não o corrigimos como o esperado. Quem acreditou em Canales, Montillo (que nos ajudou na decadência do Camilo) e etc… Tinha que ter um plano B na manga muito bem definido (e ficou claro que não tínhamos). Perdemos o Sassá e não repusemos. Resultado: jogamos 4 partidas decisivas na temporada e não marcamos sequer um gol. Estão aí escancarados os erros de planejamento e a falta de ambição, Zé. E não adianta vir com desculpas orçamentárias, porque se não tiver o risco de perder, nunca se ganha nada. Essa máxima é antiga e recorrente. Tem horas, que a ambição precisa falar mais alto. Voltemos pro Brasileirão, porque agora só ele pode nos salvar. Continuarei torcendo, ainda mais pleno e Botafoguense. Abraço, Zé!
 
Share
 

Joomla inotur picma